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CURA INTERIOR

Cura Interior    Pr. Marcelo Aguiar    13/07/2016

“O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmo 51.17).

 

INTRODUÇÃO

Foi-me pedido que o tema da mensagem desta noite fosse “Cura Interior”. Vamos, então, procurar descobrir o que Deus quer nos ensinar a esse respeito.

O que é cura interior? De um modo simples e resumido, podemos dizer que é a cura dos males do coração. E esses males podem assumir muitas formas: solidão, ira, culpa, depressão, mágoa, medo, angústia, decepção, ansiedade, inferioridade, amargura, rejeição…

Charles Spurgeon escreveu: “A mente pode desabar muito mais profundamente do que o corpo, pois nela há poços sem fundo. A carne pode suportar apenas um certo número de feridas e não mais, mas a alma pode sangrar de dez mil maneiras, e morrer repetidas vezes a cada hora”.

O coração é aquilo que temos de mais íntimo e importante. Por isso o Livro de Provérbios nos alerta: “Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4.23). Acontece que o coração é, também, o que temos de mais frágil. A letra de uma antiga música do Grupo Rebanhão dizia: “Dentro de você bate um coração pequenininho e frágil feito bolha de sabão; que está cansado de tempestade, vulcões, de muitos invernos e poucos verões.”

Do coração procedem as saídas da vida. O coração pode ser ferido, e pode sofrer de mil formas. Quando o nosso coração é atingido, isso se reflete em toda a nossa vida.

 

  • QUANDO O CORAÇÃO É FERIDO

Em sua fragilidade e vulnerabilidade, o coração é machucado: pela vida, pelos outros, por nós mesmos… e então, o que acontece?

Toda vez que o nosso ser interior é ferido, surge um sentimento e um pensamento. Essa dupla nem sempre é clara ou consciente, mas está sempre lá. O sentimento nos assombra, e tentamos evitar que ele se repita. O pensamento busca nos socorrer e evitar que nos machuquemos de novo, mas pode acabar nos prejudicando.

Vamos considerar alguns exemplos:

  1. a) Uma professora nos constrange na sala de aula. Sentimentos: vergonha, impotência, frustração. Pensamentos: “O mundo não é um lugar seguro”, “eu não sou inteligente”, “é melhor ficar calado”.
  2. b) Um cônjuge nos trai ou abandona. Sentimentos: tristeza, desamparo, revolta. Pensamentos: “As pessoas não são confiáveis”, “eu não sou desejável”, “é melhor ficar sozinho”.
  3. c) Enfrentamos uma doença ou acidente grave. Sentimentos: medo, vulnerabilidade, insegurança. Pensamentos: “A vida é muito perigosa”, “eu não tenho como me defender”, “é melhor ficar encolhido”.

Existem alguns fatores que podem fazer com que as feridas nos marquem mais profundamente. Por exemplo: quando os golpes nos atingem quando ainda somos jovens; quando os golpes que nos atingem são especialmente fortes; ou quando os mesmos golpes se repetem muitas vezes. Nesses casos as marcas são mais profundas e duradouras.

Talvez seja a hora de procurarmos, na nossa própria vida, experiências que nos tenham marcado negativamente, tenham elas acontecido há muito ou pouco tempo. Também será produtivo se buscarmos identificar os sentimentos e pensamentos que, tendo sido gerados por essas experiências, até hoje sobrevivem em nós.

Muitas vezes a dupla “sentimento-pensamento” age em nossa vida de modo imperceptível, afetando o nosso estado de humor, prejudicando os nossos relacionamentos e sabotando as nossas realizações.

A essa altura, alguns poderiam argumentar se a conversão não traria, automaticamente, solução para tudo isso. Afinal, não somos novas criaturas? Mas o fato é que trazemos feridas, antigas ou novas, que precisam de tratamento. Alguém pode até mesmo estar bem espiritualmente e mal emocionalmente. Embora essas duas dimensões interajam, e seja até difícil delimitar onde termina uma e começa a outra, elas não são exatamente iguais.

Então, a pergunta que devemos fazer é: como alcançar a cura interior? Vamos tentar descobrir a resposta estudando os casos de dois personagens bíblicos que, partindo de situações bastante parecidas, chegaram a destinos bem diferentes.

 

3) JEFTÉ E O CASO DO FILHO REJEITADO

“Era, então, Jefté, o gileadita, homem valoroso, porém filho de uma prostituta; Gileade era o pai dele. Também a mulher de Gileade lhe deu filhos; quando os filhos desta eram já grandes, expulsaram a Jefté e lhe disseram: Não herdarás na casa de nosso pai, porque és filho de outra mulher. Então Jefté fugiu de diante de seus irmãos e habitou na terra de Tobe, e homens levianos juntaram-se a Jefté e saíam com ele” (Juízes 11.1-3).

Jefté foi um dos juízes de Israel. Homem nobre, grande líder, com direito a um lugar na galeria dos heróis da fé do capítulo 11 de Hebreus. Mas foi, também, um filho indesejado. Seu pai era um homem influente e sua mãe era uma prostituta, o que significa que o seu nascimento não estava nos planos de nenhum dos dois. Jefté foi rejeitado pela sua família e expulso pelos seus conterrâneos.

Quando alguém lhe diz que você não tem valor, que opções você tem? A princípio, duas. Você pode aceitar o veredito ou tentar provar o contrário. Jefté experimentou os dois caminhos.

No primeiro momento, a Bíblia diz que Jefté fugiu. Ele foi para a terra de Tobe, tornou-se um bandoleiro, deu vazão à revolta. Vestiu a carapuça do fracassado! A escritura diz que “o coração conhece a sua própria amargura, e o estranho não participa da sua alegria” (Provérbios 14.10). Esse é um texto que se aplica a muitos “Jeftés”…

Em um segundo momento, Jefté tentou provar seu valor. Uma guerra entre os gileaditas e os amonitas fez com que seus antigos conterrâneos fossem buscar a sua ajuda, e ele enxergou naquela circunstância uma oportunidade de se tornar juiz. Para isso, precisaria vencer o exército inimigo. “E Jefté fez um voto ao Senhor, dizendo: Se tu me entregares na mão os amonitas, qualquer que, saindo da porta da minha casa, me vier ao encontro, quando eu, vitorioso, voltar dos amonitas, esse será do Senhor; eu o oferecerei em holocausto” (Juízes 11.30,31). Ele de fato venceu a guerra, mas a pessoa que saiu para encontrá-lo foi sua filha única, a qual, em sua ignorância, ele ofereceu em sacrifício.

Jefté foi um personagem trágico. Ele vendeu a própria felicidade pelo sucesso. Morreu apenas seis anos depois de sacrificar a filha, provavelmente de desgosto.

O que a história de Jefté nos ensina é: quer aceitemos o diagnóstico falso que nos impuseram, quer vivamos para provar que ele estava errado, nos perderemos de nós mesmos. Se quisermos alcançar a cura interior, teremos que encontrar um terceiro caminho. E é aí que a história de Davi pode nos ajudar.

 

4) DAVI E O CASO DO FILHO ESQUECIDO

Quando Davi faz a sua estréia nas Escrituras, está em situação semelhante à de Jefté. Ele nasceu em uma cidade pequena, sua família tinha pouca importância, e seu pai não pensava nele. Certo dia, o profeta Samuel chegou a Belém, convidou Jessé a participar de um sacrifício, e lhe pediu que trouxesse os seus filhos com ele.  “Assim, fez passar Jessé a sete de seus filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O Senhor não escolheu a nenhum destes. Disse mais Samuel a Jessé: São estes todos os teus filhos? Respondeu Jessé: Ainda falta o menor, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda trazê-lo, porquanto não nos sentaremos até que ele venha aqui” (1 Samuel 16.10,11).

Davi não parece ter sido muito valorizado por seu pai, e as coisas não foram melhores com seus irmãos. Ao visitá-los no campo de batalha, obedecendo a uma ordem paterna, ouviu seu irmão mais velho dizer-lhe: “Por que desceste aqui, e a quem deixaste aquelas poucas ovelhas no deserto? Eu conheço a tua presunção e a maldade do teu coração” (1 Samuel 17.28). Isso foi só o começo. Na verdade, a vida de Davi sempre foi marcada por rejeições, injustiças, julgamentos precipitados, críticas, acusações e até maldições.

Então, o que nos perguntamos é: por que Davi não se perdeu ao longo do caminho? Por que não se entregou ao sentimento de inferioridade, à depressão, à ansiedade, à amargura de alma ou ao endeusamento do sucesso? Por que se tornou um indivíduo saudável, conhecido como “o homem segundo o coração de Deus”? Como ele recebeu a cura interior?

A princípio, não é fácil encontrar uma resposta para essas perguntas. Mas é aí que nos deparamos com uma grande vantagem: Davi escreveu vários salmos! Ali ele deixou por escrito os seus sentimentos e os seus pensamentos. Então, se lermos os salmos de Davi acharemos dicas preciosas: não apenas para conhecer o segredo da saúde espiritual e emocional de Davi, mas também para alcançar essa saúde em nossas próprias vidas.

Você está pronto para começar?

 

5) A RECEITA DE CURA INTERIOR DE DAVI

a) Davi acreditou que havia sido desejado por Deus. Ele escreveu: “Eu te louvarei porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e esmeradamente tecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nenhum deles” (Salmo 139.14-16). Davi entendeu que nenhuma gravidez é indesejada, porque antes de sermos concebidos no ventre de nossa mãe, fomos concebidos no coração de Deus.

b) Davi acreditou que havia sido criado por Deus como um ser único e especial. Ele disse ao Senhor: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Contudo, pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste” (Salmo 8.3-5). Davi entendeu que somos criaturas de grande valor e dignidade, modeladas artesanalmente pelas mãos do Criador. E no caso dos que foram resgatados pelo sangue de Cristo, esse valor se torna ainda maior.

c) Davi acreditou que com o auxílio de Deus poderia realizar grandes coisas. Ele escreveu: “Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele tudo fará” (Salmo 37.4,5). Não importa o que aconteceu, ou o que esteja para acontecer. O Senhor está no controle. Ele faz com que tudo coopere para o bem daqueles que o amam. Para usar outra expressão de Davi, “em Deus faremos proezas” (Salmo 60.12).

d) Davi decidiu derramar a sua alma perante Deus. Ele escreveu: “Com a minha voz clamo ao Senhor; com a minha voz ao Senhor suplico. Derramo perante ele a minha queixa; diante dele exponho a minha tribulação” (Salmo 142.1,2). Este é apenas um dos numerosos salmos em que encontramos Davi, nas horas difíceis, buscando a ajuda do Senhor e dizendo-lhe como se sentia. Como seremos abençoados se seguirmos esse exemplo! Se for para chorar, que choremos ao pé da cruz!

e) Davi decidiu acreditar no socorro do Senhor. Essas são as suas palavras: “Os justos clamam, e o Senhor os ouve; e os livra de todas as suas angústias. Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito. Muitas são as aflições do justo, mas de todas elas o Senhor os livra” (Salmo 34.17-19). Há um lugar todo especial no coração do Senhor para aqueles que têm os seus corações feridos.

f) Davi decidiu que, naquilo em que não pudesse entender Deus, iria confiar nele. É de sua autoria esse pequeno poema: “Senhor, o meu coração não é soberbo, nem os meus olhos são altivos. Não me ocupo de assuntos grandes e maravilhosos demais para mim. Pelo contrário, tenho feito acalmar e sossegar a minha alma. Qual criança desmamada sobre o seio de sua mãe, qual criança desmamada está a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre” (Salmo 131.1-3). Pedimos tantas coisas a Deus… e ele só nos pede uma coisa: que confiemos nele! Nem sempre isso é fácil. Mas Davi decidiu que seguiria esse caminho, e isso fez toda a diferença em sua vida.

 

CONCLUSÃO

Creio que o Senhor tem uma provisão de cura para os nossos corações. Como escreveu Basileia Schilink: “Os doentes e sofredores são os favoritos de Deus”.

Podemos receber dessa provisão, agora, pela fé. Podemos dizer ao Senhor onde está doendo, e pedir-lhe que limpe as nossas feridas. Talvez isso nos traga um pouco de medo a princípio. Mas é algo extremamente necessário e libertador.

Traumas, medos, culpas, decepções, perdas, abandonos, incompreensões… tudo isso pode comprometer a saúde do nosso coração. E uma vez que é dele que procedem as fontes da vida, torna-se vital reencontrarmos a saúde. Podemos ir ao Médico dos médicos na certeza de que ele nos receberá e tratará. Davi descobriu isso. Ele escreveu: “O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmo 51.17).

 

Pastor Marcelo Aguiar

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